Minha trajetória como Psicóloga e Autista
Prazer, eu sou a Mariana Coelho Pagliaminuta Negreiros, Psicóloga (CRP-04/77555), Graduada em Psicologia pela PUC Minas. Atuo com Avaliação Neuropsicológica e Psicoterapia, sendo especializada no atendimento de autistas adultos, com foco em Mulheres no Espectro.
Além de psicóloga, também sou autista e tenho altas habilidades/superdotação, o que me permite unir meu conhecimento técnico e experiência pessoal no meu trabalho para compreender melhor os desafios dos meus pacientes.
Minha trajetória com o autismo começou em 2023, ainda durante a faculdade de Psicologia, quando decidi me aprofundar no tema e resolvi passar por uma avaliação. Foi assim que recebi meu diagnóstico tardio de TEA. Essa descoberta transformou minha vida de forma positiva e estudar sobre o autismo acabou se tornando meu propósito.
Mas eu percebi que o autismo em adultos, principalmente em mulheres, quase não era mencionado, nem mesmo na faculdade de Psicologia. Essa falta me despertou a curiosidade e o desejo de me especializar por conta própria no TEA em Mulheres Adultas e de levar esse conhecimento para dentro da universidade.


De Aluna a Palestrante: Como o Autismo Me Levou a Ensinar sobre o Autismo
Diante da escassa abordagem sobre autismo na faculdade de Psicologia, decidi agir. Junto a uma colega que também é autista, organizei um seminário sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) para os meus colegas de turma.
O sucesso foi tão grande que fomos convidadas para palestrar em outras unidades da PUC Minas. Posteriormente, também fomos chamadas a fazer uma live no canal oficial da Faculdade de Psicologia da PUC Minas, abordando o Autismo em Mulheres.

Mulheres e Autismo: Minha Pesquisa sobre o Diagnóstico Tardio
Quanto mais me aprofundava no tema, mais percebia o quanto o diagnóstico tardio de TEA em mulheres era uma realidade negligenciada.
Foi assim que decidi focar meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no estudo do “Diagnóstico Tardio do Transtorno do Espectro Autista em Mulheres: Fenótipo Feminino e a Importância do Diagnóstico na Vida Adulta”.
Essa pesquisa não só consolidou meu conhecimento teórico, mas também reforçou meu compromisso em ajudar outras mulheres autistas que, assim como eu, descobriram o diagnóstico na vida adulta.
Da Teoria à Prática: Atendendo Mulheres Autistas
Hoje, como psicóloga clínica, me dedico ao atendimento psicoterapêutico de Mulheres Autistas, oferecendo um espaço seguro, acolhedor e especializado. Meu trabalho é focado em desenvolver habilidades sociais, flexibilidade cognitiva, teoria da mente, mascaramento social e ansiedade, sempre respeitando as particularidades de cada indivíduo.
Meu objetivo é ajudar minhas pacientes a se conhecerem melhor, desenvolverem suas potencialidades e alcançarem uma vida mais equilibrada e autônoma. Se você busca um atendimento que une expertise profissional, compreensão empática e vivência pessoal, estou aqui para caminhar ao seu lado.


Coautora do livro: Leve pra quem? TEA nível 1 de suporte - Vol 2
Ao longo dessa trajetória de atendimentos com autistas adultos, tive a honra de ser convidada para escrever o capítulo "Compreendendo a ligação entre autismo e suicídio", do livro "Leve pra quem? TEA nível 1 de suporte - Volume 2", organizado pela Dra. Annelise Júlio-Costa, referência nacional na área de Neuropsicologia.
Esse trabalho teve um significado muito especial para mim, porque aborda uma realidade que encontro com frequência nas sessões. O sofrimento das pessoas autistas de nível 1 muitas vezes passa despercebido por quem está ao redor, o que torna essa discussão necessária. Espero que esse assunto receba cada vez mais atenção, para que essas pessoas possam ser compreendidas e acolhidas antes que o sofrimento se torne pesado demais de carregar. Segue um trecho que escrevi:
[...] Autistas também querem ser aceitos. No entanto, essa necessidade muitas vezes se esbarra em uma sociedade que os trata como na fábula do patinho feio: o protagonista era constantemente rejeitado por não se parecer com os outros patos e, por isso, passou a acreditar que havia algo de errado com ele, sentindo-se deslocado. No fim da história, descobrimos que o personagem nunca foi um pato, mas sim um cisne, e ninguém reconheceu sua verdadeira natureza, de modo que ele passou a vida toda tentando se encaixar onde nunca pertenceu. Da mesma forma, muitas pessoas autistas de nível 1 de suporte, principalmente aquelas que tiveram diagnóstico tardio, crescem carregando esse sentimento de julgamento, inadequação e incompreensão, apenas por serem quem são — cisnes tentando sobreviver num mundo feito para patos.


Fundadora Clínica Espectro Neurodivergente
A criação da minha clínica, Espectro Neurodivergente, surgiu da necessidade de construir um espaço verdadeiramente acolhedor para pessoas autistas e também para quem ainda tem suspeitas, onde possam ser ouvidas sem invalidação e sem vivenciar experiências negativas causadas pelo preconceito ou pela resistência que ainda existe em relação ao autismo na vida adulta.
Além disso, um dos maiores propósitos da clínica é oferecer um atendimento especializado para autistas adultos, com profissionais que tenham conhecimento aprofundado sobre o tema. Assim, é possível proporcionar tanto um tratamento de qualidade quanto uma avaliação neuropsicológica cuidadosa, capaz de identificar as particularidades de cada pessoa e contribuir para um diagnóstico mais assertivo.


Certificados na Área de Psicologia












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